Como foi conduzida uma due diligence técnica num edifício urbano?
- 6 de nov. de 2025
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Que tipo de imóvel foi analisado neste caso?
Em 2024, a ImoVeritas foi contratada por um investidor francês para realizar uma due diligence técnica num edifício urbano de seis pisos situado no centro de Lisboa, datado de 1965 e reabilitado parcialmente em 2008.
O objetivo do cliente era adquirir o imóvel para arrendamento de longa duração, pretendendo confirmar a sua segurança estrutural, regularidade urbanística e viabilidade económica.
Como foi definido a missão da análise?
Durante a reunião inicial, foram definidos os seguintes objetivos:
Verificar o estado técnico do edifício e das infraestruturas;
Avaliar a conformidade com o RGEU, o DL 220/2008 (SCIE) e o DL 101-D/2020;
Identificar riscos que pudessem afetar a rentabilidade;
Estimar custos de manutenção e reabilitação.
A missão incluiu inspeção visual, levantamento fotográfico, análise documental e entrevista com o administrador do condomínio.
Que documentação foi analisada?
Foram recolhidos:
Licença de construção e utilização, emitida em 1966;
Projetos de arquitetura e especialidades (incompletos);
Certificado energético (classe D);
Atas de condomínio dos últimos três anos;
Relatórios de manutenção dos elevadores;
Fatura recente de reparação de cobertura.
A análise revelou que parte das obras realizadas em 2008 não possuía licenciamento de alteração, uma irregularidade a comunicar ao cliente e passível de correção legal.
Como decorreu a inspeção técnica?
A equipa da ImoVeritas, composta por engenheiro civil, arquiteto e técnico de instalações — realizou inspeções às zonas comuns e duas frações representativas.
Foram identificadas as seguintes anomalias:
1 Estrutura e coberturas
Fissuras verticais em paredes mestras (assentamento diferencial antigo).
Infiltrações pontuais na cobertura plana (membrana asfáltica envelhecida).
Corrosão em varandins metálicos do 5.º piso.
2 Fachadas e caixilharias
Reboco solto em zonas de fachada posterior;
Caixilharias em alumínio sem rutura térmica (deficiente isolamento).
3 Instalações técnicas
Quadros elétricos antigos, sem disjuntores diferenciais;
Colunas de águas e esgotos originais em fibrocimento;
Sistema de ventilação natural insuficiente nas cozinhas.
4 Segurança e acessibilidade
Escadas sem corrimão contínuo e largura inferior ao exigido pelo RGEU;
Ausência de iluminação de emergência e sinalização (não conformidade SCIE).
Como foi feita a classificação de riscos?
Com base nas normas RICS/SCSI e ISO 31000, foi criada uma matriz com 32 observações classificadas entre baixo e crítico.
As principais red flags foram:
Colunas de águas e esgotos em fibrocimento (impacto sanitário e legal);
Falhas de segurança contra incêndios;
Degradação parcial da cobertura.
O relatório indicou investimento corretivo estimado em 95 000 € e necessidade de substituição total das colunas técnicas em 24 meses.
Quais foram as recomendações da ImoVeritas?
1️⃣ Substituir redes técnicas (água e esgotos) e quadros elétricos;
2️⃣ Executar impermeabilização integral da cobertura;
3️⃣ Corrigir acessos e escadas para cumprimento do RGEU;
4️⃣ Atualizar sistema de SCIE (iluminação e sinalização de emergência);
5️⃣ Solicitar regularização urbanística das obras de 2008 junto da Câmara Municipal.
O relatório também indicou potencial de valorização energética (classe B) com isolamento e caixilharias novas, prevendo redução de 30 % no consumo elétrico.
Quais foram os resultados da análise?
Com base nas conclusões técnicas, o investidor renegociou o preço de compra, obtendo uma redução de 7 %.
Após a aquisição, contratou a ImoVeritas para acompanhamento da reabilitação.
O edifício foi regularizado urbanisticamente e certificado com classe energética B, aumentando o seu valor de mercado em cerca de 12 %.
Conclusão
Este caso demonstra como uma due diligence técnica conduzida com metodologia estruturada permite:
Detetar riscos construtivos e legais;
Evitar custos ocultos;
Apoiar decisões de investimento e negociação;
Valorizar o imóvel através de melhorias técnicas.
A ImoVeritas transformou uma análise de risco num plano de valorização segura — exemplo de como o rigor técnico se converte em retorno económico tangível.
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